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Olhar/Mosaico em perspectiva de práticas e conhecimentos, políticas e artes africanas/diaspóricas. Apenas um biocaminho na esfera. Afim de experimentar toques e palavras, sons e ruídos, notas tortas e dissonâncias. Apalpando e sorvendo quase tudo, no cosmo, na Américafrolatina, quase na beira do Atlântico.Por desvelar e re-conhecer as partes e o todo na busca do estar pleno no mundo, enquanto for.

SILVA, Salloma Salomão Jovino da. Bio-caminho

salloma Salomão Jovino da Silva, "Salloma Salomão é um dos vencedores do CONCURSO NACIONAL DE DRAMATURGIA RUTH DE SOUZA, em São Paulo, 2004. Professor da FSA-SP, Produtor Cultural, Músico e Historiador. Pesquisador financiado pela Capes e CNPQ, investigador vistante do Instituto de Ciências Socais da Universidade de Lisboa. Orientações Dra Maria Odila Leite da Silva, Dr José Machado Pais e Dra Antonieta Antonacci. Lançou trabalhos artíticos e de pesquisa sobre musicalidades negras na diáspora. Segue curioso pelo Brasil e mundo afora atrás do rastros da diápora negra. #CORRENTE- LIBERTADORA: O QUILOMBO DA MEMÓRIA-VÍDEO- 1990- ADVP-FANTASMA. #AFRORIGEM-CD- 1995- CD-ARUANDA MUNDI. #OS SONS QUE VEM DAS RUAS- 1997- SELO NEGRO. #O DIA DAS TRIBOS-CD-1998-ARUANDA MUNDI. #UM MUNDO PRETO PAULISTANO- TCC-HISTÓRIA-PUC-SP 1997- ARUANDA MUNDI. #A POLIFONIA DO PROTESTO NEGRO- 2000-DISSERTAÇÃO DE MESTRADO- PUC-SP. #MEMÓRIAS SONORAS DA NOITE- CD - 2002 -ARUANDA MUNDI #AS MARIMBAS DE DEBRET- ICS-PT- 2003. #MEMÓRIAS SONORAS DA NOITE- TESE DE DOUTORADO- 2005- PUC-SP. #FACES DA TARDE DE UM MESMO SENTIMENTO- CD- 2008- ARUANDA SALLOMA 30 ANOS DE MUSICALIDADE E NEGRITUDE- DVD-2010- ARUANDA MUNDI.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Um conto de Réis



A curva da figueira grande.

A vida é o que é o que é. Da vida de alguém que realmente viveu, não dá para por nem tirar nada. A vida é, e pronto. Agora, o sonho de viver, esse é feito de tudo que a vida é, daquilo que ela não foi e mais do que poderia ela ter sido.
Ele chegou a esse mote bem no fim. Quando os olhos castanhos já se mostravam esbranquiçados e os sonhos esmaecidos pelo desgaste. Mas não era só isso, posto que aprendeu a não dar privilégios as tristezas, quedas e dores.
Agora que a vida se tornou bem mais simples, não guardava quase nada das velhas tralhas. Vivia até bem nos dois cômodos que herdou, uma meia-água nos  fundos da casa que ele próprio construiu. Levava consigo num bornal de fotografias e textos manuscritos em papéis de embrulhos. Ali guardava sem zelo todas a alegrias que foi recolhendo na trilha bem longa.
Agora lembrava.
Caminhou da Estação da luz até a praça da bandeira. Parava e vacilava em meio a multidão levando mala e um bornal de brim marrom.  ficou olhando a cidade rodando em volta de si. Os prédios , as pessoas , os carros, tudo em movimento e ele ali parado no meio do mundo.  Pensou: meu deus que vai ser de mim?
Um primo que nem conhecia e outros parentes distantes, pelo que disseram, moravam num tal de Parque Santo Antônio e o ônibus saída dali. Tinha que descer na curva da Figueira Grande, depois subir cortando caminho pelo morro do Jardim Cristina, atravessar o Jardim Tomas e sair no Vaz de Lima, a pé.
O ônibus entrou num túnel, depois numa avenida arboriza, prédios bonitos e antigos, virou um curva lenta a esquerda e parou num ponto coberto. Muita gente subiu. Ela entrou bem ali. Puxou a mala para debaixo do banco, porque não incomodar e sorriu. Ela abaixou a cabeça sem expressão.
 Avenida Santo Amaro, leu numa placa azul e branca de metal, enquanto o coletivo só ia enchendo. O cobrador pedia que todos se apertassem um pouco para caber mais. E o mais incrível, cabia. Avenida larga aquela, nunca tinha visto, com jardim no meio, nunca tinha visto.
Os prédios ficando pra traz, casas bonitas. Bairros de brancos, descobriu depois.
Um pequeno córrego e começaram aparecer as fábricas de remédios e bicicletas, de chocolate e televisão, pensui , vai ser fácil arranjar emprego. Queria logo trabalhar. Comprar uma bicicleta e talvez uma televisão. Mas antes, tinha que chegar, se localizar. Mas tinha medo, nem bem sabia do que, tinha medo.
Agora ficava mais certo de entender o que se passou, agora ele pensava. Foi seu pai quem disse: Vai, vai logo, vai mesmo, isso aqui não tem futuro. Aqui sua vida será enxada, será sempre inchada e terra, é jovem e inteligente, tem pouco de estudo, deixa isso pra traz e vai. Manda notícias e quando der manda um dinheirinho pra gente, aqui. A mãe olhou lacrimosa e cismada, mas parece que concordava pelo seu silêncio e não gesto pouco.
Os parentes e aderentes todos ali naquela apertada casa, malocados e esperando três meses de plantio e um de colheita, quando não cana, era café, se não tivesse geada forte, nem isso. As folhas do canavial longas e compridas, as vezes cortam o couro feito navalha. Na mão que tem pele fina as farpas fincam feito agulhas, arde muito e dó de dodói. Por isso o couro, a pele e alma tem de ficar bem duro, como carcaça.  Porém tem que tirar uma a uma as farpas antes que nos atinjam o coração .
A vida tinha o ritmo do plantio e uma toada, uma cantiga bem lenta , onde a viola chora. Alegria não durava muito, as vezes pode faltar, mas em dezembro vem, a gente e todo povoado, esperando dezembro após dezembro. A festa dura até 6 de janeiro, Dia de Santo Reis. No findo ano de labuta, que vale por apenas esses poucos dias de chitas, festas, máscaras de couro de cabra, chapéus de palha e fardas adornadas com fitas coloridas.
Dias ensolarados de cantoria e comprar mantimentos, trazer roupa nova e sapato velho. Dias de matança do capado e de fartura vingativa. Gravetos no campo mais próximo e oficio de criança, ele ia quase sem resmungar, catar gravetos com os menores. Mas tinha muita cobra, então aprendeu com o pai-do- pai-do-pai como fazer, cutucar com vara antes.  Depois ganhava o comando da raspação do tacho de cobre, o doce de leite, goiabada, fruta da época.  O miúdo de porco e os pacotes de doce divididos na vizinhança e no compadrio.
No brilho vivo dos olhos castanhos e nos ouvidos de bicho sonoro vinha a Folia de Reis e os palhaços bem vestidos de chita colorida, transpirando por debaixo da mascara e daquela roupa de cetim engalanada. 
Queria criança, sempre curioso, queria saber quem era, mas nunca, nunquinha que ele revelava.  Tirava  a máscara para beber água, mas no segredo de dentro da casa, depois voltava para rua tirava verso, canta grosso e cantava fino. Em segunda e terceira voz, por baixo da marcara abafada, geração apos geração, na beira da serra da canastra. Era fantasma de mistério, ano a ano, mas sempre cantava bonito, ele quase chorava de ouvir, mesmo sendo as mesmas cantigas. Sonhava com aquelas violas e sanfonas, melodias e tambores, mas não tinha jeito para aquilo, as mãos e braços haviam sido domados definitivos pela força do cabo da enxada.
Filhos de brancos  e de pretos, correndo pela estrada atrás de passarinho. Xingamentos de macaco só ,quando briga. Chora não filho todos são filhos de deus. Ele olhava pra cima cara de pergunta. Quem é deus? Na certa deus tá muito velho e anda cochilando demais.
Congado descia enfileirado, passava na porta da casa e rodava. A batida dos tambores ficava bem forte, o coração dele menino sincronizava. Todos iam para  o alpendre da casa e até o pé de pimenta-do-reino, mesmo que bem fincado no chão, também dançava.  Claro que não, era o vento que dava. Mas não importa, era sua alegria que mudava tudo no mundo em volta.
Sozinho para capital. Nem chorando, nem sorrindo, sozinho para capital, fazer a vida. Para trás ficaram os palhaços e a folia, a cantoria e os pretos batuqueiros, os reluzentes do Congado. Caiu em si.
O coletivo ficava mais lento na medida que ia subindo gente e o cobrador apertando. Uma estátua enorme de soldado no meio da avenida, Borba Gato, um herói paulista dessas bandas, graças a Sérgio Buarque. Mais tarde ele veio a saber. Gostava de ler para exercício, largo Isabel Schimidt, Santa Casa de Misericórdia de Santo Amaro, largo 13 de maio, a avenida Suzana Rodrigues. Fábricas e gente saindo, fim de turno. Gente cinzenta e falante, gente apinhada nos pontos e nos ônibus. Pouco mais que jardineiras, pouco mais que paus-de-arara, com gente pendurada nas varas, morcegadas, viradas de ponta cabeça, ainda que pareçam  de pé.
  Apredeu longo a gíria, bumba, busão, busum, negreiro. Hummm negreiro só de madrugada, quando vinha do baile.  Subiu por um pequeno aclive asfaltado, era a Ponte do Socorro. Uma construção diferente de tudo que tinha visto, forte, alta, bonita, de concreto armado e ferro, com gente passando na beira de um lado para outro, andando rápido. Avenida se dividiu em duas e estreitou um pouco, para um lado Rio Bonito, para outro Guarapiranga.
Pode também ver que a cidade era dividida por um rio e ligada pela ponte, como realmente é ate agora.  Do lado esquerdo a represa de Guarapiranga, do lado direito mais fabricas e fabricas e fabricas. Isso é que ouvia dizer como sendo o progresso. A cidade é moderna, dizia o cego o seu filho. A aventura começa no coração do navio”.
Estrada de Mboy Mirim, que nome esquisito ou estranho, ele pensou e riu para si mesmo.  Quanto mais o ônibus singrava lerdo por aquela estrada, mais ficava apertada, enquanto o roto coletivo despejava gente nos pontos e calçadas estreitas. Era tarde, quase noite. Piraporinha, outra igreja, uma pequena subida e  uma curva acentuada a direita, fim do asfalto, uma arvore grande, Ponto final. Figueira Grande. Todos desceram e saíram andando, sem olhar para traz apressando a passo e se dispersando em muitas direções.
Voltou ao ônibus e perguntou a motorista, que ainda sentado e suando, respondeu sem nem mesmo olhar para ele. Disse: Suba esse pequeno morro ao lado da arvore, vire a direita e siga por uma rua coberta de paralelepípedos até o fim. Vire a direita, verá um morro maior ainda, terá de subir até o fim, passar por um conjunto de casas bem iguais, siga a rua principal e vai alcançar o Vaz de Lima. Assim ele fez até chegar a um largo cheio de comércio, quer dizer, duas padarias, um quitanda de legumes, um banca de frutas e  outra de pastel e caldo de cana, algumas lojinhas de roupa e uma pequena farmácia.
Tinha memória do bar do Ângelo Japonês e rua 25, timidamente perguntou na banca e uma senhora branca e gorda o olhou de cima abaixo e seus olhos pararam justamente quando mirava sua mala. Antes de responder, perguntou onde queria ir.  Pegou a informação, mas  não seguiu a risca, preferiu as orientações que parente enviou, na carta que recebeu.
Casa nenhuma tinha reboco por fora, pintura então nem se fala. Carros velhos morriam no meio do morro, fuscas e ximbicas, nada de calhambeques como das canções de Roberto e Erasmo. Onde estava o progresso que tanto prometeram os mais sabidos?
Agora ali, naqueles papeis velhos vinha tudo, detalhe por detalhe. Cabeça que brota imagem. Tudo de repente vem. Vem cheiro, vem gosto, vem tudo. Procura no mundo, mas nada acha, não é mentira, é passado, bom que se foi.

A filha que vivia na casa da frente aprendeu a desgostar dele. O achava fracassado, medroso e velho. Tinha ódio por conta da mãe e do olho no olho. Sempre quis a coisa mais fácil, mas não deu, pra ele não deu.   

Agosto na Cidade Murada- 2013-2018











Diferentes materiais ( imagéticos, literários, performáticos e musicais) têm sido aproveitados para confecção de um novo espetáculo musical,CD album e DVD de Salloma Salomão e o Profetas do Após Calipso.


Banda Profetas do Após Calipso. Mateus, Denys, Diego, Guilherme.

O processo criativo começou em 2013- A partir de oficinas de teatro realizadas  com alunos na Fundação Santo André por João Lourenço.



Em 2016 a idéia central foi retomada e desenvolvida como enredo textual e argumento para História em Quadrinho.
Augusto Miranda já havia sido contatado como ilustrador.


Agosto na cidade murada. 


Salloma Salomão e Banda Profetas do Após-Calípso. Guilerme Braz, Dennys Felipe, Mateus Batéra, Diego Champi, Eloiza e Estela Paixão, Martinha  Soares, Talita Araújo e Marcio Castro e Anna Raquel convidados.
Direção: Jé Oliveira e Mariana Souto Mayor
Ilustração- Augusto Miranda
Tratamento Visual- Rodrigo Kenan 
Edição:?
Videografia- Carlos Massinge Banto (Boa Cumba Cine)

O Narrador. Benedito Hamapate Bâ da Silva. Por Augusto Miranda.

PRIMEIRO ARGUMENTO


Arranjos de Guilherme Braz e Salloma
Um filme-quadrinho-teatro-musical rocker kaipira, ou sertanejo intelectual. Um mundo fantástico, pseudo surrealista, revelado por cenas de quadrinhos animados, teatro filmado e música orgânica digital, executada por uma quarteto rocker e convidados. Uma metáfora da encruzilhada estética e política contemporânea. Finalmente a sociedade foi dividida por um muro visível e é governada por um homem misterioso-exibicionista que adora e faz com que todos adorem um Deus-Cachorro-Urubu. Mito de origem nórdica remota, conhecido purificador de todo lixo e impureza humana (Um deus que incentiva fazer o “serviço que tem que ser feito”). Nas devidas proporções reina a paz e prosperidade, tanto fora, quanto dentro da cidade-condomínio.




 Além dos muros da cidade só há dois tipos de pessoas: Os malditos e os naïfs. Ambos devem ser cotidianamente coagidos, controlados e vigiados. Seus filhos fazem ensino básico e aprendem rudimentos da língua mátria e operações matemáticas básicas, também devem aprender desde bem a realizar todas as tarefas produtivas e de manutenção da cidade, inclusive a segurança junto com cães chipados. Os naïfs, chamados assim, não por serem ingênuos, mas por serem de boa vontade, anualmente são premiados com bilhetes especiais, e com isso podem ingressar e até morar definitivamente dentro do condomínio, se tiverem recursos mentais, morais e financeiros para tanto (morrem principalmente de ansiedade e obesidade mórbida). 




Matheus, Estela, Guilherme, Salloma,Diego, Martinha,  Eloiza.


Os cândidos não gritam e nem falam palavrões, vivem no interior do condomínio e estão livres de todos os vícios, raivas e contradições. Consomem principalmente alimentos orgânicos, água mineral gaseificada e leite tipo-A, vivem de sombra e água fresca, festas orações e contagem de dinheiro entre os muros e somente saem em certas circunstâncias (fazem yoga e somente morrem de velhice). Praticamente não são expostos ao sol, por isso, com o passar do tempo adquirem uma aura santificada e um tom de pele bem alvo. Alguns conseguem obter a transparência ao pronunciar várias vezes ao dia as palavras gratidão e generosidade. Entretanto, um incidente põe em risco todo equilíbrio social e a segurança mútua, quando dois jovens naïfs surtam durante a vigésima festa anual do Deus Cachorro-Urubu. Ao mesmo que um grupo de malditos (que antes só faziam falar palavras de baixo calão, se matar e morrer todos os dias de punhal, bala e câncer) abre uma fenda no muro da cidade.
 

Estudio Medusa- Lapa SP Martinha e Eloiza. Técnico Janja



DESENVOLVIMENTO Agosto na cidade murada. 

Dramaturgia e animação indicativa

Salloma Salomão e Banda Profetas do Após-Calípso. Guilerme Braz, Dennys Felipe, Mateus Batéra, Diego Champi, Eloiza e Estela Paixão, Martinha  Soares, Talita Araújo e Marcio Castro e Anna Raquel convidados.
Direção: Jé Oliveira e Mariana Souto Mayor
Registro videográfico: Lério Carlos Massingue Banto

Personagens essenciais para música, animação e teatro.

Beleleu Hampate Bâ da Silva. (Maldito) Narrador - Velho mameluco libertário, +Contador de histórias sem pé nem cabeça, avô dos gêmeos, amigo pessoal de Bebeléu, do baterista Gigante Brasil e do percussionista Lord Bira. Um dos organizadores  das primeiras feiras culturais da Vila Madalena, antes da cidade ser murada. Migrou para Mato Grosso onde dirige uma comunidade alternativa.  
Elaine Afolabi Manzambi da Silva (Naïf) - Jovem mística, líder dos Pardais (fiquei muito curiosa para ver como vai se desenrolar a história dos pardais...Akinjide tbm é do bando?) EU TAMBEM, herdou a capacidade imaginativa do avô paterno, senso de liderança e é estrategista imbatível. As vezes faz xixi na cama.
Ricardo Akinjide - (Naïf) - Jovem prático e tímido, incrédulo e medroso, amante de tv e ficção científica. Inventor de traquitanas tecnológicas e estudioso de religiões não cristãs. Procrastinador nato e comedor compulsivo, adora refrigerantes, doces e sanduíches, enfim todo tipo de podre delícia.  Filhos de mãe solteira.
Johnny Adorno O prefeito. - (Candido) Tem uma curiosa história de fortuna e ascensão social obtida antes da construção da muralha. Prefeito (dono) da cidade, ególatra e caricata. Construiu a cidade murada e a transformou em uma máquina de negócios lícitos e ilícitos. Afável em público e sádico birrento no privado. Tem ojeriza de gente pobre. É praticamente um rei, que controla a vida de todxs, tanto da parte interna, como da área miserável  e externa da cidade. Criador do culto do Deus Cachorro Urubu. Um deus justo que está voltando para purificar a cidade. Casou-se com uma fêmea pastor-alemão, com que vive e é fiel. (muitos risos aqui! Mulher loba e outros mitos contemporâneos sobre o feminino ideal, anima, selvagem, arrebatadora e porque não mulher do Funk , as cachorra!!!)
Noêmia Webber-(Naïf) De família nobre. Sobrevive trabalhando como Passeadora de Cachorros. Mães dos jovens Afolabi e Akinjide, era professora de sociologia em uma renomada universidade confessional, quando sua instituição faliu e sua disciplina foi definitivamente extinta dos currículos escolares. Se envolveu com um hippie negro, poeta delirante, bisneto de Lima Barreto, apelidado Imbélala. Ficou “curada” depois de participar de um programa governamental para dependentes químicos.
Edna Sathler- (Naïf-Cândida) Chefe de segurança interna, ganhou status pelo uso da violência hiper-racionalizada contra os pobres e subversivos. Antecipa coisas ruins que podem acontecer aos jovens.
Sara Elton Panambi- Espirito dos índios tapuias é considerada a protetora. Espirito da cidade, zombando e rindo, fala em fragmentos e de forma enigmática. Ronda a cidade, atrás  de proteger pessoas que sofram uma disfunção psíquica, lampejos de liberdade ou rebeldia.



Augusto Miranda



Banda Pop Rocker baixo, guitarra e bateria e quatro vocalistas no Palco.
(Ideia geral – O cenário  apresenta um aspecto devastado dando a impressão de fim ou de resto de algo, como terreno da grande São Paulo após desocupação.  Um fim de festa, um evento de playboy, um velório modesto...enfim. Maquiagem pesada, figurinos desestruturados...sempre fumaça e luz âmbar, tons pasteis e acinzentado, não como recursos cênicos, mas como personagens . Uma espécie de conflito entre o claro e o difuso. Incidentes sonoros: uivos, ruídos...música, sempre música).

Coordenadas gerais:
A estrutura do espetáculo tem UM PRÓLOGO E QUATRO ATOS. Narrativa antilinear, que começa e termina com a queda do muro. (– vai se dar nos quadrinhos? Na música? SIM na ação do atores em interação com a banda) Todas se iniciam com animações de 25 segundos intercaladas por canções e cenas curtas. Os personagens sempre saem do fundo do cenário e passam entre o coro e voltam.


PARTE I-Intro- Animação projetada no telão _ 25 segundos de Duração.
Cena1- O prefeito  está dando uma entrevista sobre a invasão da área murada da cidade, quando começa e se sentir mal. Delira e nas suas miragens podemos visualizar um  homem com vestes sadomasoquistas se contorcendo, uivando, grita e chora ao mesmo tempo, enquanto é olhado por uma figura  feminina com máscara de cachorro. (fiquei na dúvida de quem são os homens com vestes sadomasoquistas. Eles reaparecem? Tem algo de urubu-cachorro? (SIM isso mesmo, imagens físicas e virtuais que de vez em quando espreitam a cena)
Me parece que seria legal tbm imagens da própria cidade, antes do embate de imagens entre prefeito e jovens – penso que para não resumir a história ao conflito entre jovens e prefeito –  será que se mudasse de prefeito as coisas estariam  melhores. Até poderiam estar..mas e a estrutura? ) SIM Sugestão aceita, mas a cidade só existe para os humanos, elxs constroem  e vivem a cidade, mesmo para aqueles para os quais ela é negada.

Cena 2- No alto de um prédio abandonado um grupo de jovens olham para a parte murada da cidade entre skates e o som portátil antigo (Igual dos primeiros BB). Veem fumaça e uma grande movimentação de carros. Se cumprimentam e comemoram alguma coisa, estão eufóricos, um dança enquanto outro anda de skate.

MÚSICA 1 - Entrando em cena Canção. Coro leve e aberto, como se fosse uma canção de trabalho, mas sem acento rítmico. “Toda revolta” . Toda revolta/ Um dia ela volta/ um dia a revolta vem/ Toda ré é/ Toda revolta/ um dia ela volta/ um dia a revolta vem (Duração 60 segundos) (muio bom!!)

TEXTO 1- TEATRO-   Prólogo 1
Sara Elton Panambi- (Dirigindo-se ao público) No futuro, dependendo da maneira como seja contada nossa história nesta cidade pode ser que as tiranias e grandes perversidades sejam convertidas em imagens de beleza, liberdade e gozo.  Duvidam disso? Eu mulher tapuia, conheci de perto os bandeirantes.
As artes não são necessariamente lugares de verdade. Mas aqui tem sido guardiães das mais belas mentiras, protetoras dos criadores sem alma.
A vida é o que é o que é. Da vida de alguém que realmente viveu, como eu vivi, há tempos atrás como eu vivi não dá para tirar, nem por nada. A vida é, e pronto. Agora, o sonho de viver, esse é feito de tudo que a vida é, daquilo que ela não foi e mais daquilo que poderia ela ter sido, mas não foi, mas poderia ter sido.  (Duração 1:20) LINDA FALA!!!

MÚSICA 2- Liberdade Guardiã. Solo de Eloisa Paixão. Coro eloquente.
Intro instrumental- Solo de Kalimba, Guitarra e voz. Se a liberdade é guardiã (Bis)/ Quando virá nos resgatar.../ Essa irmã que vem de longe/ Um dia vai te procurar(Bis)/ Abraçada a multidão/ No céu de outubro ela virá/.... Será que ela vem (Bis)/ Ou é você quem irá/ Voce quem ira/ (Duração 2:50)


CENA 2 TEXTO 2- PRÓLOGO. NARRADOR AVULSO, UM OBSERVADOR EXTERNO-
Feriado na segunda-feira que se se prolonga, se arrasta e corre lenta.  É agosto e as ruas estão cheias de cães de raça, eles reinam. As feras humanas disputam os restos de tudo, enquanto os cães humanizados brincam sob olhar vigilantes dos passeadores. Só eles gozam obesos e felizes nos jardins, porque não há mais crianças.
Na área externa da muralha alguns como eu, ainda tem capacidade para sentir uma melancolia doce e mórbida, que ainda paira no ar.
Apenas adolescentes muito especiais, ainda não estão encarceradas, nem receberam chips da eterna felicidade. Hoje sobrevivemos apenas, somos fantasmagorias de um passado sonhado e não vivido.
Seja Exu, seja eros, os deuses nos abandonaram por completo. A libido acabou. O pouco que ainda pulsa em nós, não vale uma sincopa ou os batimento de coração vagabundo e descompassado. O que sobrou do desejo foi convertido não em vontade de vida, mas em fome-mercadoria.
Agora liberdade já não passa de uma bandeira velha e rota, palavra perdida num antigo dicionário. A violência é regra e o medo imobilizador reina.
Entregamos sem resistência nossa  liberdade em favor de mais proteção individual, algo privado que eles chamam segurança. E aceitamos o massacre cotidiano dos mais frágeis, contanto que possam preservar intactas as nossas identidades, nossas meganarrativas.
Aqui ninguém mais se importa com besteiras como racismo, injustiça, desigualdade e outras tolices de um passado marcado pelo demagogia populista.
Finalmente a verdade absoluta pairou sobre nós. A desigualdade é justa e a indiferença a melhor moral. O bom Deus, é justamente aquele que nos incentiva a fazer o que tem ser feito.  Devorar os fracos e limpar toda sujeira.
Fazem agora 20 anos que essa cidade se tornou uma Zonautonoma, uma cidade estado, uma ilha de prosperidade em um país miserável e decadente. Uma obra monumental e derradeira inspirada no grande livro de Monteiro Lobato (o presidente negro). Nosso prefeito perfeito, nosso lindo, nosso rei, nosso bei está exultante. Essa é a semana da festa do Deus Cachorro Urubu. Viva a tortura e morte lenta. (Duração 3 minutos) !!!!!





PRIMEIRO ATO-

MÚSICA 3- O Bardo ou menestrel tocando um violão de cabaça. CORO NO FIM. ( duração 1 minuto)

MÚSICA 4- CHAMADA PARA O CORO- SOLO MASCULINO ( SALLOMA) ( Duração 40 segundos)

MÚSICA 5- CANÇÃO DO DEZ CACHORRO URUBU- Ele é o deus/ Daqueles que fazem o que tem que fazer (bis)/ E o que tem que fazer? (Bis 2)/ Mais fiel, mais cruel, mais leal/ Mais fiel do que o dinheiro/ Mais cruel que um povo em cativeiro/ mais leal que os generais/.  Eis aqui nossos mortos/ Eis aqui esses outros/ Eis aqui nossos vícios. ( duração 1:20 minutos)

 CENA 3- texto NOEMIA- DÁ UM PRENSA NO VÔ HAMPATE BÂ.

Noêmia__Todos aqui estamos com muita saudade de você, mas espero que não venha novamente com  aquelas ideias malucas, isso influencia meus filhos.  Tambem espero que não fique andando a noite por ai, pois tudo aqui tá muito perigoso, você sabe bem. (Ele a olha primeiro com espanto e desdém em seguida) Da outra vez meus filhos se envolveram até naquela coisa de ocupação de escola. Muitos pais foram processados por. Nós tivemos sorte.  (–Noemia é contra ou a favor das ocupações? É para ficar ambíguo?) ELA é mãe, teme pelos filhos, sabe dos perigos , tem medo, como aparece no texto dos jovens.

Hampate Bâ-____ (Balbuciando) O cachorro mordeu o homem, mordeu o cachorro. Quem tem medo da noite, perde o que ela tem de melhor, mas vive mergulhado nela.
Noêmia_________(Irritada) Lá vem novamente com as metáforas malucas. Olha aqui Beleleu o que falo é muito sério. Voce pensa que essa cidade é mesma de quando você se foi. Não é não. Está tudo dominado. Agora só da PT, PCC, PMDB e PSDB, é tudo crime bem organizado. Lá fora você não duraria nem uma noite. Os cães te devorariam e os urubus dariam fim ao resto da sua carcaça.
Hampate Bâ____________ (Elevando o tom , mas com bom humor) Do que você está falando Mulher,  Não sei quem é Beleleu,  Meu nome é Artur Bispo do Rosário, sou filho mais novo de Lima Barreto e Estamira. Agosto  é um mês desgraçado é o tempo todo esses uivos ...eles fazem tantas coisas com os cães e sempre nos acusam de prática de feitiçaria...( Retira do lixo um papel amassado, desamassa-o e lê a canção). (muito bom!)

MÚSICA 6- CANÇÃO VINHETA- MENÇÃO A ITAMAR. Solo Salloma, com banda e coro.
Chega de conversa mole luzia/ Chega de conversa mole/ bla-bla-bla (bis).

MÚSICA 7- APRESENTAÇÃO DO NARRADOR-( Se dirigindo ao público)
O que vou contar pra vocês/ É só mais uma lenda tola/ histórias para fazer marmanjo dormir/ Mantando a boca aberta/ Histórias que eu não sei vivi, aprendi/ Sonhei , não estou certo/ De um homem que virou cachorro urubu/ Numa cidade partida. (é uma espécie de 2º prologo? Isso ficou um pouco confuso) SIM. Do ponto de vista musical pode ser considerado um prólogo.

(Segunda a parte) Um homem cão/ um homem tão bom ( bis)/ Menino bonito, branquinho um rei/ Um reizinho nascido só pra governar/ Meninos morrendo, nas quebradas, vielas/ meninas correndo peladas entre os carros.

(Terceira parte) Cachorro (bis 3) quem chama?/ Cachorro (bis 3) quem ama?/ Cachorro (bis3) sacana!/ Cachorro (bis3) pilantra?

(Quarta parte) O que vou contar pra vocês, que eu já nem me lembro/ O que vou contar/ Que vou contar/

MÚSICA 8- Entra chefe de segurança ( Edna Sandler)    
Esse velho maluco insano está incomodando vocês?/ Esse velho mameluco está, incomodando vocês?/ Sai daqui! ( bis) Eu disse sai, sai! (Repete) (FIM DO PRIMEIRO ATO)
    
SEGUNDO ATO

Animação- visão panorâmica e aérea das duas aeras da cidade, SEM TEXTO
MÚSICA 9 INSTRUMENTAL PESADA- JETRO DO GRAJAÚ


 Com as músicas que vc mandou Salloma, já dá pra imaginar bem a atmosfera desse show teatral. Eu gosto muito mesmo! Do clima, personagens, visão de mundo, ironia, grotesco, sonoridades, rebeldia... Da dramaturgia é possível ir para muitos lugares..que vc aponta nesse primeiro ato. Aguardo os próximos textos/ comentários para conversarmos!!
Segunda ou terça próxima envio mais.
Muito obrigado
Bjs

Lério Carlos Massingue Bantu





Martinha  no alto, Eloisa Paixão e Estela Paixão, Estúdio Medusa.  


Seguem Estudos Augustianos











O seminário “Raça Negra e Educação 30 anos depois: E agora do que mais precisamos falar?” é dedicado ao resgate das temáticas publicadas na revista Cadernos de Pesquisa n. 63 “Raça Negra e Educação” que completa em 2017, 30 anos. A proposta é realizar o encontro da geração propositora dos textos de 1987 de atores e atoras que na atualidade discutem as temáticas das ainda persistentes desigualdades educacionais para negras e negros no país. O evento resulta de um esforço conjunto entre o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal de São Paulo (NEAB-Unifesp), Fundação Carlos Chagas (FCC) e Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN).


24 Quinta
13h45 - 15h25: 5 MESA 5 Novas coletividades e a agenda de educação: espaços formais e informais
André Luiz de Figueiredo Lázaro - UERJ
Carolina Rocha Silva - UERJ
Joana Célia dos Passos - UFSC
Sidnei Barreto Nogueira - USP
Valdecir Nascimento - Odara Instituto da Mulher Negra
Coordenação: Sandra Unbehaum - FCC
15h30 - 16h30: Debates
16h30 - 17h: Encerramento dos trabalhos - Comissão Organizadora
17h: Celebração - Atividade Cultural com Salloma Salomão
https://www.facebook.com/NEAB.Unifesp1/videos/467558640271849/